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DIREITOS E PODER FEMININOS*: ESPERANÇA PARA TODOS!

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(ASSÉDIO vs AMOR REVELADO vs AMOR+ASSÉDIO: tentando distinguir)
Márcio Amaral, vice diretor IPUB
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"Há quem veja só beleza estética nas bailarinas de Degas, passando ao largo de todo drama ali contido. O contraste entre as moças e os homens ao fundo é por demais gritante para não haver ali uma intenção dramática, muito reforçada pelo jogo de luz e sombras. Nunca uma "Boca de Cena" fez tanto jus ao nome e foi tão ameaçadora"."Há quem veja só beleza estética nas bailarinas de Degas, passando ao largo de todo drama ali contido. O contraste entre as moças e os homens ao fundo é por demais gritante para não haver ali uma intenção dramática, muito reforçada pelo jogo de luz e sombras. Nunca uma "Boca de Cena" fez tanto jus ao nome e foi tão ameaçadora".Um assédio continuado e muito bem caracterizado pela vítima---de maneira a não deixar nenhuma dúvida---finalmente revirou toda a sujeira que a GLOBO vinha deixando acontecer em seus estúdios por décadas. Quem (com alguma ligação na área) não ouviu relatos mais ou menos detalhados de condutas do gênero por parte alguns de seus diretores e responsáveis pela formação de elencos? O mais triste na história foi a necessidade de que tivesse acontecido com uma pessoa de fora do "CÓDIGO de condutas" entre atores/diretores para que a denúncia finalmente tivesse vindo a público. A triste ironia contida nas imagens das atrizes vestindo a camisa "mexeu com uma, mexeu com todas" é a de que algumas podem também sofrido com algum "mexer" literal e não somente pelo mesmo abusador. O fato dele xingar diretamente a vítima na frente de dezenas de colegas só é explicado pela certeza da impunidade. Alguns poderiam se perguntar quanto ao porquê de não aparecerem muitas outras vítimas, como é típico nesses casos. A resposta é simples: OUTROS CASOS MUDARIAM O FOCO PARA A PRÓPRIA EMISSORA. Estariam os artistas com medo?* A "HIDRA" tem muitas cabeças e talvez seja a abusadora mor? Diria que: em situações semelhantes envolvendo políticos, empresários, médicos...a regra é o surgimento de múltiplos casos. Essa há de ser uma lacuna na caracterização da situação. "Varrer J. Mayer prá debaixo do tapete" (rapidamente para cessar a investigação) não desarma a máquina que o produziu, .
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BEM CARACTERIZANDO PARA NÃO COMETER INJUSTIÇAS
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Situações delicadas envolvendo a sexualidade de adultos e sem que tenha ocorrido sintonia mútua---implicando desejo, constrangimento, posse ou imposição pela força---são inúmeras. Algumas são criminosas, outras criticáveis, havendo ainda as absolutamente legítimas, desde que não extrapolem a revelação (em geral associada a alguma sedução respeitosa). A sensualidade perpassa as relações humanas inevitavelmente e dá vida à nossa vida. Qualquer tentativa de usar o método bíblico de "arrancar o olho que envergonha" (ou outras partes) está condenada ao fracasso e à indução de ainda mais perversões nas relações humanas. Quando se condenam sem discriminar as situações, muitas pessoas que passaram por situações delicadas e legítimas---a maioria homens e em posição de alguma ascendência sobre a pessoa amada e/ou desejada---logo se posicionam defensivamente, podendo até incorporar discursos antifeministas muito em contradição com suas disposições fundamentais. Assim corremos o risco de fazer como a mãe desastrada que, depois de lavar o bebê na bacia, atirou-o fora junto com a água. Bem discriminar as situações para não discriminar pessoas injustamente, é o que vou tentar fazer.
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1- ASSÉDIO PROPRIAMENTE DITO
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É o que está na ordem do dia, sendo crime previsto em lei. Nessa situação e no perpetrador não há qualquer sentimento um pouquinho mais elevado para com a vítima ou o entorno. Tudo ali é apenas POSSE e imposição de submissão. As pessoas à volta---não somente a vítima, mas até aquelas que podem parecer cúmplices---tendem a ser também vítimas. A regra é que TODOS sejam olhados como animais dos quais se podem dispor à vontade. Trata-se da versão moderna de "Le Droit du Seigneur": "direito" do senhor feudal a dispor de qualquer serva (que se casasse em suas terras) na noite de núpcias. O próprio termo usado pelo assediador em questão: "VACA" e a mão na genitália lembraram por demais a "marcação a ferro" que se costuma usar com animais. Em termos modernos, podemos dizer que por DEFINIÇÃO, e quando de longa duração, essa conduta implica TODO o ambiente. Os casos individuais expressam SEMPRE uma longa "CULTURA". Dessa forma, podemos equacionar assim: Os SUPERIORES ao perpetrador direto são SEMPRE omissos ou cúmplices e (quase) todos os seus subalternos são vítimas.
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2- AMORES REVELADOS e DECLARADOS
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Esse precisa ser respeitado, desde que envolva apenas adultos, até mesmo em situações muito delicadas como para com contraparentes, por exemplo. É um DIREITO (eu sinto como quase DEVER) de todo mundo que tem um sentimento mais profundo REVELÁ-LO àquela(e) a quem é dirigido. Quando atingem, professores, chefes e outros, pode disparar situações muito difíceis. Conheço bem a situação e os dois casos definitivamente não se confundem: quem tem mesmo um amor verdadeiro, contrariamente ao que se passa com o ASSEDIADOR, sente-se "bem piquinininho" (como diria D. Ivone Lara) para com a pessoa amada; desarmado mesmo. Esse é o amor verdadeiro e "Vênus era uma deusa muito poderosa; nem Zeus podia com ela" (L. Barreto). Casos como o do médico Abdel Massi são completamente diferentes, mas uma das mulheres que o denunciou (a posteriori) hesitou por achar que fora um amor verdadeiro e avassalador por ela provocado. Ainda há muitas mulheres ingênuas e generosas. Vendo que era apenas um padrão manipulador fez também a denúncia. Ela também achava que um amor deve ser respeitado, desde que seja respeitoso.
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3- AMOR (de início, pelo menos) SEGUIDO DE ASSÉDIO
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É a situação mais dramática e potencialmente trágica de todas. Envolvem um amor não correspondido e esforços continuados e inconvenientes de conquista e até revolta e assassinatos. O caso mais emblemático da literatura/ópera é o da relação Carmen/D. José da obra de Merrimée/Bizet. Somente uma perda grave do amor próprio pode levar alguém à situação de humilhação sempre associada. Também o próprio "AMOR" do título pode ser questionado a partir de uma evolução para essa situação. Pode haver a tendência a que tudo se torne um ritual sadomasoquista envolvendo os dois.
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Mas há também situações que misturam elementos das 3 situações assinaladas, como na Ópera "AS BODAS DE FÍGARO" (WA MOZART): o Conde está apaixonado por Suzana, noiva de seu empregado Fígaro (por ele criado depois de abandonado na infância). Vejam a CENA INICIAL na "Ópera de MARIONETES" (a partir do min 2). Suzana e Fígaro estão muito alegres com os preparos para o casamento: ele medindo o espaço para uma cama e ela experimentando o véu branco (!). Diz ele: "Se a Madame te chama (...dindin...) você já está aqui pertinho!". Quando ela entende que iriam morar ali, embaixo do quarto do Conde (que tudo tramou), não o aceita e revela o que está se passando. "Vai haver dindin, sim e da Condessa, mas vai haver também um ...DONDON...! E nós não podemos ficar aqui". Depois de um drama pessoal enorme (ele ama e é grato ao Conde); de cena de ciúmes e tristeza profunda, Fígaro canta o "Se quer bailar, Senhor Condinho...sou eu quem vai tocar a guitarra". A solução encontrada aqui, Fígaro fala com a roupa do conde em um quase manequim, é belíssima. No final da ópera e de inúmeras peripécias, há uma enorme conciliação e perdão generalizado. Mozart/Da Ponte e Beaumarchais (autor da peça original) parecem dizer: "Quando há amor verdadeiro, quase tudo pode ser perdoado!"

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Por fim, podemos falar também do muito genérico "MACHISMO", aplicado sem critério a situações inofensivas e para acontecimentos graves (o que me parece inadequado). De minha parte, algumas atitudes tipicamente machistas são de muito difícil superação e acho que devem entrar no rol das LIMITAÇÕES masculinas. Quando inofensivas, devem sofrer um certo deboche. Querer "igualdades" artificiais levando todas as situações "a ferro e fogo" pode produzir muito mais infelicidade do que bem.
...............................................FIM

*o "poder feminino" não se reduz ou implica necessariamente exercício de cargos específicos. Frequentemente, algumas mulheres incorporam de tal maneira práticas tipicamente masculinas nesse exercício (M. Thatcher é o melhor exemplo) que se tornam suas maiores aplicadoras. Refiro-me a um poder cotidiano e permanente. Estudos com gorilas (a espécie mais próxima de nós) no Congo demonstram ser o macho alfa como que "eleito" pelas fêmeas que mantém o direito de sua "destituição da função". No cotidiano, têm função principal de dirimir conflitos, especialmente entre jovens. Também nas escolhas de locais de alimentação, as fêmeas, que têm necessidades específicas, também terminam por levar os machos onde querem ir. Assim, concluí: um poder feminino tende a apontar para um poder legítimo, seja ele exercido por homem ou mulher.
**Uma atriz muito conhecida revelou ter sofrido mais do que abusos na Globo há quase 50 anos: dois estupros e por parte de gente que ainda está lá. Uma denúncia, na época, dessas teria ameaçado sua carreira. É quase uma confirmação da tese: há outros casos de gente ainda com medo. A própria nota oficial da Globo se inicia por uma "escorregada feia" "...denúncia de assédio ENVOLVENDO...fulano e beltrana". Como assim "ENVOLVENDO"? Será que desaprenderam a língua? O que houve foi um abusador e sua vítima, lutando para não se deixar ENVOLVER por tentáculos perversos.

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