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PIAGET: ACRESCENTANDO "DESEJO" A SEU EXPERIMENTO!

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(De como a auto restrição pode ampliar o alcance de um CIENTISTA*)
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NOTA: o desenho do experimento detalhado abaixo surgiu em uma conversa despretensiosa com Luana Ferreira de Carvalho (psicóloga). Por isso é resultado de colaboração e tem coautoria.
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INTRODUÇÃO:
J. Piaget (1896-1980)J. Piaget (1896-1980)Quando falamos de Piaget quase sempre nos lembramos imediatamente das fases por ele propostas para o processo evolutivo do funcionamento da mente humana desde os primeiros meses de vida. Outro traço seu que também muito impressiona é o quanto TODAS as suas conclusões/afirmações são reforçadas através de experimentação propriamente dita. Curiosamente, isso talvez tenha limitado o seu alcance até hoje, uma vez que: 1- as pessoas da área costumam resistir a se embrenhar nesse esforço de REFINAR UM MÉTODO que possa ser repetido por qualquer pessoa preparada, obtendo resultados semelhantes; 2- pode podar o desenvolvimento de hipóteses ainda não testáveis** (ou de impossível testagem propriamente dita). Onde ele comete um exagero difícil de aceitar é na sua crítica à psicanálise por não aplicar métodos semelhantes; os seus teóricos se limitariam a ser mais ou menos convincentes e os seguidores a "acreditar ou não" nos achados e modelos propostos. Tenho a impressão até de que essa crítica tinha uma ponta de maldade. Ele sabia muito bem---até porque conhecia e apreciava muitos dos conceitos da psicanálise--- que, aplicando métodos semelhantes aos seus (ou qualquer um mais ou menos intervencionista, com grupos controle, etc.), a psicanálise seria uma outra coisa. Afinal, as intervenções psicológicas (mesmo quando tentam se limitar à investigação) MODIFICAM POR DEMAIS O CAMPO DE INTERVENÇÃO. Por isso, estou convencido de que as intervenções psicoterápicas estão no LIMITE entre CIÊNCIA e FILOSOFIA (incluindo aí outras formas de expressão: artísticas e culturais).
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O EXPERIMENTO CLÁSSICO: CONSERVAÇÃO
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Dentre todos os experimentos de PIAGET nenhum é mais conhecido do que o teste com VOLUMES DE LÍQUIDO colocados em recipientes diferentes para verificar a capacidade da criança que está sendo testada para "CONSERVAR*" uma informação/observação previamente estabelecida: são apresentados (a uma criança de 6/7 anos: estágio pré operacional), dois copos cheios com volume idêntico de um líquido qualquer. Diante da pergunta: "Qual deles tem mais?", a imensa maioria delas responderá que os volumes são iguais. Um dos copos é, então, despejado (também na frente da criança) em um outro copo, mais alto mas com a mesma capacidade de volume. É feita, então a mesma pergunta: "E agora: qual deles tem mais líquido?". Diante da nova situação, a imensa maioria das crianças dirá que o copo mais alto tem mais líquido: a aparência do novo momento faz desaparecer a observação/informação obtida ou caracterizada anteriormente. Esse é o experimento padrão: tende a se repetir para qualquer região ou cultura.
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UMA VARIÁVEL CHAMADA "DESEJO"
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Estabelecido um saber, pode ele sofrer alguns desdobramentos e estou convencido de que a inclusão no experimento da VARIÁVEL "DESEJO" aproximará a situação daquelas que as crianças costumam vivenciar, ou seja: ali não haveria qualquer artifício. Nesse caso, a situação ganharia outra dimensão, pois envolveria ESCOLHA e TOMADA DE DECISÃO; desfrute ou frustração. Depois de obter a informação junto aos pais (submetendo tudo à sua supervisão/aprovação, é claro) de qual BEBIDA A CRIANÇA MAIS GOSTA:

1- apresentar duas pequenas garrafas cheias com o líquido e perguntar qual delas tem mais líquido: "IGUAL" (resposta esperada);
2- despejar cada garrafa em um copo específico, sendo os dois muito diferentes: um mais alto, mas com capacidade inferior (resultando uma sobra do líquido na garrafa) e outro em que, apesar de mais baixo, coubesse todo o conteúdo da garrafa.

CONDIÇÕES ESSENCIAIS
1- que cada garrafa fique próxima do copo correspondente por todo o tempo;
2- que os dois conjuntos---copo e garrafa---fiquem afastados um do outro, mas com ambos à vista da criança por todo o tempo.

PERGUNTAS A FAZER OU COMANDOS A DAR
Há dois desdobramentos possíveis no mesmo experimento: fazer a pergunta típica "E agora qual deles tem mais?"; ou então dizer à criança para escolher APENAS um dos copos e beber. Várias combinações também se podem fazer: 1- fazer a pergunta e depois dizer que ela só pode beber o conteúdo de um dos copos, observando se há ou não incongruência entre a resposta verbal e a conduta; 2-separar em dois grupos: a um deles seria feita a pergunta e ao outro seria dado o COMANDO (beber o conteúdo de apenas um copo).
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PIAGET JÁ FIZERA ALGO PARECIDO EM OUTRO EXPERIMENTO
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Curiosamente, o próprio pesquisador já introduzira em outro experimento---também quase meramente cognitivo, de início---uma variável muito individualizada atingindo a própria noção da criança em relação a ela mesma ("JEAN PIAGET-O Homem e suas Ideias" R. I. Evans). A uma criança também no estágio pré operacional são apresentados diversos desenhos ou fotos do desenvolvimento de uma planta em diversos estágios de seu crescimento e perguntado quanto a serem ou não a mesma planta. A resposta inicial tendia a ser "NÃO". Tudo se modificava, entretanto, quando eram apresentadas à mesma criança fotos delas mesmas em diversos momentos da sua evolução até ali: muitas das crianças não somente tendiam a saber se tratar delas mesmas, como também tendiam a fazer (com mais frequência) associação da sua própria evolução com a da planta, pois passavam a responder se tratar da mesma planta em vários estágios. Dessa forma, fico mais à vontade, supondo que um pesquisador/pensador que admiro provavelmente aprovaria a proposta/modelo de pesquisa.
...................FIM

*J. PIAGET não é somente um cientista e experimentador. Muitos de seus escritos demonstram haver ali um pensador de peso, especialmente quando discute métodos de investigação e sua aplicação, por ex., ao estudo da CONSCIÊNCIA/MEMÓRIA, tema que me interessa especialmente (ver "Epistemologia Genética" e outros títulos).
**É bom sempre ter em mente o trabalho de N. Copérnico (1473-1543) e sua demonstração de que a Terra era redonda e girava em torno do sol, somente testável quase um século depois.

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