Arte e Cultura

ALEMANHA: OS ACORDOS ENTRE NAZISTAS E SIONISTAS-I

(…e o HOLOCAUSTO estava escrito na história de um povo, há milênios!)

Márcio Amaral

………………………………………………………………………………

NOTA: é impossível entender os acontecimentos no O. Médio sem abordar certos fatos europeus, relativamente recentes e associados à criação do Estado de Israel. Talvez outros povos estejam pagando por uma conta que não é deles. Hoje, esse mesmo Estado se tornou também um fato a ser aceito (ou tolerado, dependendo do ponto de vista) pelas suas comunidades vizinhas. Seu povo, como qualquer outro, merece viver em paz.

…………………………………………………………………………………………

“Einchmann informava aos Conselhos de Anciãos Judeus quantos judeus eram necessários para encher um trem, e eles elaboravam a lista dos deportados…” (H. Arendt, “Einchmann Em Jerusalém”, C. das Letras, 2011,)

……………………………………………………….
holocaustoO termo HOLOCAUSTO encontra-se no centro do “mito de formação” da religião e cultura judaicas. É muito anterior às práticas nazistas que desembocaram na tentativa de “Solução Final”*. Referia-se à ordem que Deus teria dado a Abrahão para que sacrificasse seu único filho, Isaac, no “Altar do Holocausto”. Segundo o mito, no último momento, e quando  tudo já estava preparado para o sacrifício da criança, um anjo teria descido do céu e comunicado que Deus já estaria satisfeito com a confirmação de que o amor e submissão de Abrahão estavam acima de todas as coisas. Durante muito tempo, e a partir dessa passagem bíblica, ouvi e reproduzi o julgamento de que o Deus do Velho Testamento seria, além de extremamente cruel, vaidoso e narcisista. Quanta falta de senso histórico! Hoje vejo tudo de forma bem diferente e sepudéssemos aplicar a expressão “corte epistemológico” às práticas dos povos e aos seus mitos—não somente às grandes revoluções do conhecimento—sem dúvida, aquele mito mereceria essa classificação, conforme tentarei demonstrar abaixo. Um carneiro foi sacrificado em lugar de Isaac. Desde tempos imemoriais que se sacrificam seres indefesos e sem qualquer relação com os ódios originais.

………………………………………………………………..
Continuamos a julgar eventos e mitos do passado a partir da pequenez das nossas vidas atuais. Há que sempre pagar um tributo à história: a prática do sacrifício ritual de crianças foi corrente entre quase todos os povos da antiguidade. Assim, e invertendo completamente o raciocínio: pela primeira vez na história, um povo fazia uma declaração oficial—e nos seus escritos mais sagrados—da não necessidade daquele tipo de sacrifício e a defesa da sua abolição. A Deus bastariam as práticas e rituais permanentes de compromisso e renovação da “velha aliança”. Um salto como esse, de natureza moral e religiosa, precisava passar por um drama em “grande estilo”; não “aceitava” um mero abandono progressivo. E assim se engendrou o terrível mito. Por isso, ele representou uma espécie de “corte cultural/religioso” na história dos povos e em suas práticas. Havia algo de perverso nessa submissão da vida humana a um ideal distante e fora dos seres humanos? Sim, mas não deixava de ser um avanço. Há quem considere ter havido um outro “corte” daquele tipo, e com o mesmo povo, algum tempo depois: a tomada do próximo** (ou seja, um outro ser humano e não mais um Deus distante) como a referência moral e religiosa principal. Veremos as consequências do abandono da vida e valores mais humanos, individuais e/ou coletivos, como a maior referência moral.
…………………………………………………………….

EINCHMANN EM JERUSALÉM: SIONISTAS SACRIFICARAM PESSOAS POR “IDEAL”

…………………………………………………………………..

Ideais aparentemente muito elevados têm sido usados para justificar as condutas mais cruéis e desumanas. No fundo do seu “Bunker” sujo, o “Füher” mantinha uma maquete da sua “cidade ideal”: tudo limpinho e muito branco. Para não viver em um mundo sem os ideais de Hitler, “Frau Goebells” matou seus seis filhos (todos com nomes começados por H) com cápsulas de cianureto. No outro lado, a justificativa dos SIONISTAS, para sua vasta e longa colaboração com os nazistas, era a necessidade de derrotar o “assimilacionismo”: adaptações de comunidades judaicas a outros povos e nações, o que, segundo eles, estava colocando em risco a própria identidade do “Povo de Israel”. Por isso, estavam dispostos a todos os sacrifícios, especialmente da vida de outras pessoas. O que representavam algumas vidas individuais, diante de um ideal daqueles? De minha parte, digo que qualquer “ideal” que sacrifique seres humanos e suas relações, nada mais é do que um fino verniz para encobrir as piores perversões.

…………………………………………………………………..

Havia uma outra identificação entre os NAZISTAS e os SIONISTAS que, até hoje, não vi assinalada em nenhum lugar: para os dois grupos, e como uma condição para que alguém (ou toda uma comunidade) fosse respeitado, era preciso, acima de tudo,TER UM PÁTRIA…ACIMA DE TUDO. Sem uma pátria, as pessoas deixavam de ser pessoas. Daí aos massacres dos apátridas em geral, ciganos e outros povos deslocados dos seus locais de origem, mediava apenas um passo. Enquanto os alemães gritavam “Deutschland über Alles”, para os SIONISTAS há um “Israel über Alles”. A imoralidade desse dito é óbvia: acima da Justiça, dos Direitos Humanos e de outros valores sem os quais a própria vida perde o sentido. O patriotismo, além de ser “o último refúgio dos canalhas” (Samuel Johnson, Inglaterra, sec. XVIII) também serviu de instrumento para todo tipo de crueldade. É mesmo muito difícil ficar imune ao espírito de sua época, mas deve fazer pensar o fato de alguém só se sentir alguém quando sob bandeiras, hinos e brasões***.

………………………………….

NOTA: Vejo hoje, e entre nós, um recrudescimento desse “esforço patriótico”, especialmente quando se perfilam jogadores de futebol para cantar o hino em jogos entre brasileiros. Não bastou o fiasco na Copa para desmoralizar essas práticas? “Essa seleção deixou um legado intangível…O Brasil voltou a cantar seu hino, as pessoas sentiram orgulho de algo…Ficou uma coisa bonita que não se pode negar”, C. Alberto Parreira, sobre os “escolaris” que entravam com as mãozinhas nos ombros dos da frente. Há mesmo quem não tenha senso de ridículo. Marin, Parreira e Felipão: o trio que desmoralizou o patriotismo.

…………………………………………………………………………..

Que os SIONISTAS eram considerados (por algum tempo, pelo menos) “judeus especiais” pelos nazistas, atestam-no alguns documentos reunidos por H. Arendt: “…todas as principais posições do Reichsvereinigung (Ass. Judaica de Berlim, permitida e controlada de fora pelos nazistas) eram ocupadas por SIONISTAS…porque eles, segundo os nazistas ‘eram judeus decentes’: também pensavam em termos nacionais” (p. 73). Somente à luz desse “ideal”, pode-se entender aquilo que causou a maior perplexidade ao mundo: quase todas as organizações judaicas colaboraram, mais ou menos intimamente, com o regime nazista na Alemanha e mesmo fora dela: “O agrupamento dos judeus de Berlim foi feito inteiramente pela polícia judaica…Ao longo de todo o caminho para a morte, os judeus poloneses não viam mais que um punhado de alemães” (p.133). Por tudo isso, H. Arendt chegou a uma das suas mais dolorosas constatações: “A verdade inteira é que se o povo judeu estivesse desorganizado e sem líderes…o número total de vítimas dificlmente teria chegado aos 6 milhões…metade delas (pelos cálculos de Freudiger) estaria salva se não seguissem as instruções dos Conselhos Judaicos” (p.141).

……………………………………………………………………….

CONTINUA

*Não paramos para pensar na origem das expressões. Depois que falharam todas as tentativas de eliminação dos judeus, por parte dos vários povos europeus, Hitler, como sempre derrubando as barreiras de toda ordem—especialmente aquelas que tomavam seres humanos como referência—cunhou a expressão. É apenas uma radicalização das outras tentativas. Todos os povos europeus são por ela responsáveis.

**Um outro “corte” desse gênero identifico na linguagem aplicada pelo Rei David (Salmo 51) quando pede (em verdade cobra) um perdão a Deus, em termos dignos e cheios de altivez. Entre outras coisas, David enviara um amigo para a morte, visando conquistar sua esposa: “Apaga as minhas transgressões…Porque o meu pecado está sempre diante de mim…Não me afastes da tua presença…Então, ensinarei aos transgressores os teus caminhos…Pois não desejas sacrifícios, senão eu os daria; não te deleitas com holocaustos…”

***Não tardou muito para que os SIONISTAS repetissem com os palestinos o que os judeus europeus haviam sofrido. Até 1948, os judeus eram ali uma minoria, apenas cerca de 500.000. Tinham suas próprias instituições segregadas POR INICIATIVA PRÓPRIA das instituições palestinas. A Palestina não era um Estado, mas estava em vias de se formar. Só não tinham milícias armadas e, assim, foram massacrados e expulsos de suas casas, que ainda estão lá, oferecidas às famílias judias (ver o relato do judeu Miko Peled na Internet e seu livro “O Filho do General”). Quando muitas famílias tomaram as casas de palestinos, havia bules de café ainda quente nas mesas, deixados pelos palestinos.

3 Comments

  1. Ola Marcio,
    Eu acho que escrever sobre sionismo, Palestine , Holocausto, interpretacao da Torah ; e atos presentes entre Palestinos e Israelenses ( todos que viviam naquela regiao eram Palestinos, antes da criacao do Estado de Israel sobre definicao de nomes ha livros)de maneira tao sucinta como voce fez, e cometer muitos erros historicos, que me fazem pensar que a suas emocoes , sao mais fortes que a sua razao.E que o seu conhecimento de Oriente Medio, historia do Sionismo, Holocausto, Hitler , etc…nao e tao profundo , para que esteja escrevendo um blog de uma situacao tao delicada, e complicada… Eu aceito que voce seja pro-palestino, como alguem e Fluminense e nao sabe nem como decidiu ser daquele time. Mas tentar fazer uma dissertacao historica , e comparando passado e presente ( Torah com Sionismo, Holocausto ,etc…) falhando em tantos pontos , e como chamar um curandeiro de medico. Sem ofender, nos ultimos anos, e com mais tempo nas minhas maos, eu comecei a ler sobre a historia do Holocausto, sobre Sionismo, e nao cheguei nem ha 10 % que necessito para comecar uma discussao cientifica.

    Hanna Arendt comentou em muitos dos seus artigos , que ela foi mal interpretada!!!!

    Sobre a Dilma, e o PT, em vez de condenar Israel , eles deveriam tentar imitar o que Israel fez pelo seu povo, que o Brasil nunca fara!!!!!! Que Hipocritas, corruptos, e o governo brasileiro. O pais , tao rico em recursos, tem que envergonharse , de estar tao atrasado, como o Brasil esta.
    Depois de viver 20 anos em Israel, e ter visto , como a nossa educacao medica, teve tantas falhas no Brasil, os medicos e professores , foram e ainda sao sao tao desvalorizados, eu afirmo. Os Brasileiros sao os ultimos que devem criticar Israel. Brasil mata gente de doencas, desnutricao, falta de boa educacao, violencia diaria, sera que eu deveria continuar a lista?
    Marcia

  2. Aponte os erros, por favor!
    É assim que o conhecimento avança.Críticas genéricas não são muito honestas, do ponto de vista intelectual.
    Se me convencer, farei a auto-crítica.
    Não há temas que sejam inabordáveis. Há temas mais ou menos delicados.
    Como tudo implica evolução, e como o presente estava, de alguma forma, como uma possibilidade no passado, há que estabelecer correlações.
    Márcio

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *