Arte e Cultura

BÁRBARA HELIODORA

O ESPECTRO QUE RONDA A VIDA CULTURAL DO RIO

No dia 08/10/11, deparamo-nos com a mais ofensivo dos títulos um dia usados por algum crítico no ataque (a palavra só pode ser esta) a um espetáculo qualquer: “Encenação Pobrinha não faz jus à Riqueza de Pixinguinha” (B. Heliodora, sobre “Flor Tapuya”. OGLOBO). Talvez não exista, em toda a nossa língua, um termo que provoque um efeito maior de desclassificação de pessoas como aquele “pobrinha”. O que dizer, então, do “encenação indigente” utilizado logo adiante? Será que essa senhora conhece o “cunho vernáculo dos vocábulos” que usa? Esse ataque dirigia-se a um espetáculo que conseguiu, certamente com um esforço enorme, resgatar uma obra cênica de Pixinguinha, quase esquecida.

Mais adiante, disse a mesma senhora, que a obra pedia uma “montagem grandiosa“. Quanta dessintonia em relação a PIXINGUINHA, cuja doçura e simplicidade já emanam do próprio nome!!! Alguém pode associar aquele homem discreto—grande em sua atitude de nobreza sem qualquer afetação—a “montagens grandiosas”!!!? Se há seres humanos antípodas, eles são PIXINGUINHA e HELIODORA. O melhor que ela poderia fazer era se calar a respeito do nosso músico maior.

O simples uso de um “pobrinha“, em uma crítica de arte, deveria ser de admirar, especialmente nas páginas de um jornal que tenta manter alguns “vernizes de cultura”. Espera-se, nesses casos, no mínimo uma diferenciação em relação à linguagem utilizada em salas de espera ou nas cozinhas. A não ser que o crítico atue como se a vida cultural de uma cidade fosse a sala ou cozinha de sua própria casa. Pensando bem….!

Esse apelo aos diminutivos é típico do esforço de desclassificação, e entre inimigos. Muitos andam se valendo de “fraquinha” com o mesmo propósito. Por coincidência, no dia seguinte, e no mesmo jornal, um Desembargador (daqueles que andam indignados com a atuação do CNJ e da Juíza Eliane Calmon) chamou-a de “fraquinha”. Quem se lembra de que o muito arrogante Nelson Jobim usou o mesmo termo para atacar as Ministras do gabinete da Presidenta? E as crônicas que colocaram essa mesma palavra na boca de FHC, dirigida ao Ministro Mantega?

Não há dúvida: aquela foi uma linguagem de inimiga. Dona Bárbara é inimiga das expressões culturais de  grupos pequenos e independentes: aqueles que, verdadeiramente, promovem a cultura, bem para além (ou para aquém) do “espírito globalizante” que ela venera. Que fique com as “montagens grandiosas” que adora!

Os textos que podem ser lidos em “Crítica de Arte”, foram concebidos a partir de críticas da mesma crítica. Acompanhamos de perto o malefício que suas palavras costumam causar. Essa é a nossa contribuição para desmistificar uma figura que tem exercido um papel paralisante, semelhante ao da “Cabeça de Medusa“, sobre os promotores de cultura na nossa cidade.

Márcio Amaral, vice-diretor IPUB-UFRJ, Prof. Adjunto UFRJ e UFF

2 Comments

  1. Prezado missivista!
    Considerando que temos uma língua compartilhada por todos (ou quase) os que vivem nessa terra, não faz muito sentido postar algo em uma língua que ninguém (ou quase) vai entender. Assim, ainda que seja para desancar algum texto, esteja à vontade, mas escreva em alguma língua acessível. Faria sentido postar algo em ESPERANTO, por exemplo? Seria considerado mera curiosidade inconsequente, não é mesmo?
    Obrigado, Márcio Amaral

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