Arte e Cultura

“ENRIQUECER É GLORIOSO”: EIKE ( ele e a “VEJA”) Batista!

(Depois da “ELKE MARAVILHA”…O “EIKE GLORIOSO”!)

Pobre Deng XiaoPing! Sua frase—citada por VEJA/EIKE—referia-se ao seu país e não ao seu próprio bolso! Dito daquela forma, poderiam ter citado Pablo Escobar. Se estivessem se referindo aos empreendimentos e seu efeito sobre o PIB e empregos do país!? Dito como o foi (vale o escrito¹), é descaramento mesmo. Tudo indica que a VEJA conseguiu envolver o empresário na sua linguagem. Bem…se o problema era GLÓRIA, pelo menos o bairro ele já conquistou e ocupou.

Eu confesso que, observando seus primeiros movimentos, tive uma leve esperança de que o Brasil estaria produzindo um “novo tipo de rico”: aquele que tem um firme compromisso com o seu próprio país e cultura. Não demorou muito para que essa crença se abalasse seriamente. Élio Gáspari e o povo de SJda Barra que o digam! Seu pior momento, porém, foi quando justificou as “caronas” dadas a Cabral nos seus jatos e helicópteros: “Os jatos são meus e eu dou carona a quem bem entendo“. Poderia ter substituído os termos para: “QUEM ME INTERESSA“. Naquele momento, falou mais alto um sentimento de nobreza acima da “ralé”. Ele dá carona a quem lhe interessar, mas um Governador nunca poderia aceitar. Aliás, por que esqueceram tão rapidamente dessas “caronas” e marcaram tanto aquele Min. do trabalho…de cujo nome não me lembro? Tão imparcial a nossa mídia!!!

Dos ricos…só respeito aqueles que sofrem de algum constrangimento por isso! Nietzsche (em algum momento de sua obra). Não há vergonha alguma em ser rico, é verdade, mas a JACTÂNCIA a ela associada chega a ser ridícula. Poucas vezes vimos uma JACTÂNCIA tão intensa quanto a da capa da revista. Essa coisa de voar muito de jato deve induzir muitas jactâncias!

Estaríamos importando o que os norte-americanos têm de pior: o tal sonho americano?…E exatamente quando, por lá mesmo, ele está se desmoralizando? Pouca gente entendeu (sequer o próprio) que o fenômeno OBAMA deveu-se ao colapso desse “sonho”: foi fruto de um movimento coletivo, enquanto o tal “sonho” parte do princípio do sucesso exclusivamente individual, até em detrimento do interesse da sociedade. Não pude deixar de me lembrar da canção de G.Gil, “RODA”:

“Quem tem dinheiro no mundo/Quanto mais tem…quer ganhar/E a gente que não tem nada/ fica pior do que está/Seu moço, tenha vergonha/ Acabe a descaração/Deixe o dinheiro do pobre/E roube outro……”

Não! Não é de roubo que se trata aqui! E eu declaro um certo pudor em usar a última palavra do verso, dirigidindo-a a alguém. Não me sentiria bem, nem é verdade! O espírito dos versos, entretanto há de ser esse mesmo. SERÁ QUE NÃO PERCEBEM QUE O GANHAR MAIS E MAIS DINHEIRO SEM QUE (ao mesmo tempo) SE ELEVE A RIQUEZA DO PAÍS, IMPLICA TRANSFERIR O DINHEIRO DO BOLSO DO POBRE PARA OS BOLSOS DOS MAIS RICOS?

Mas eu ainda tenho uma esperança! Sei que, por muito tempo, os “homens da AV. PAULISTA” estiveram enciumados da proximidade EIKE/LULA e sua própria perda de poder de influenciar o governo. FHC tornou-se até o porta-voz dos seus interesses. Quem sabe EIKE não se deixou envolver pela adulação? A VEJA (“mas não toque nem prove, pois vai se intoxicar“) é porta-voz daqueles empresários. Considerando a vaidade típica dos que precisam enriquecer—sob pena de sofrer amargamente—essa adulação haveria de ser bem sucedida.

As lutas de classe continuam a acontecer, mas eu já perdi a esperança de, através delas, revolucionar uma sociedade qualquer. Logo surgem outros grupos que começam a infernizar a vida dos povos novamente. O único caminho viável parece ser o que estamos tentando trilhar: crescer, distribuir renda, educar e desenvolver o espírito crítico das maiorias, estimulando a cultura. Acho até que há, no mundo de hoje, um modelo que garante uma vida digna a TODOS os seus cidadãos.

Quando da GRANDE DEPRESSÃO de 1929, a Suécia foi o único país europeu que sofreu uma guinada para a esquerda—todos os demais começaram a “namorar” o Facismo—elegendo os Social-Democratas (E. Hobsbawn “Era da Incerteza”). Mantiveram-se no poder por mais de 50 anos, sem interrupção e, NESSE PERÍODO ESTABELECERAM AS BASES PARA O FUNCIONAMENTO DE UMA DAS SOCIEDADES MAIS IGUALITÁRIAS QUE O MUNDO MODERNO CONHECE. Seu maior expoente, OLOF PALME, um homem que nem os suecos já louvaram suficientemente, cunhou uma máxima que deveria ser repetida à exaustão:

“O CAPITALISMO É UMA OVELHA QUE PRECISA SER MANTIDA BEM TOSQUIADA”

A “ovelha” era vingativa e estava bem armada. Foi assassinado à porta de um cinema, atendendo aos interesses dos que mais combateu: “Apartheid”, Pinochet, CIA e o MOSSAD. Não foram encontrados os culpados, mas, como disse um representante de Israel, diante do assassinato dos físicos iranianos: aqueles grupos “Não derramaram uma lágrima por ele”.

PALME devia saber que, sem o empreendedorismo de alguns, as sociedades não se desenvolvem. Mas sabia também que esses, quando deixados muito à vontade, tudo destroem em função de uma ganância que não tem limites, sacrificando e destruindo tudo no altar do “sacrossanto” lucro. A boa nota nisso tudo, foram as declarações do próprio EIKE na “Globo News” (quando este texto já estava escrito): “OS CAPITALISTAS NÃO PODEM SER DEIXADOS MUITO À VONTADE”.

Tenho a impressão de que ele deixou a VEJA excessivamente “à vontade” para “tratar” suas palavras.

¹É possível que o teor da matéria seja bem diferente do que indicado na manchete. Seria demais, porém, esperar sua leitura. Considerando que a maioria das pessoas forma opinião a partir das manchetes, elas devem ser discutidas como um fim em si. O efeito buscado pela VEJA já estava alcançado.

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