Temas e debates em saúde mental

EM TEMPOS DE BOIADAS…SÓ FALTAVA A EBSERH ENTRAR PELA JANELA!

(Esperando que nossos diretores de HUs evitem um desgaste ainda maior)
Berço
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NOTA: A direção do HUCFF convidou os demais diretores para reunião presencial (14/8). ASSUNTO: como fazer frente às ameaças de cortes orçamentários. Parecia uma boa iniciativa. De estranhar era que não tivesse partido do C. Hospitalar. Na atual situação, porém, sempre pode haver boas razões para isso. Soubemos depois que o tema era a defesa de adesão à EBSERH, apoiada por quase todos os presentes. A exceção? O diretor do IPUB.
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Antes de tudo, caso queiram seguir todos os trâmites para tentar mudar a decisão de uma assembleia de mais de 1000 pessoas*, estariam de acordo com as práticas democráticas. Mas a escolha do momento não poderia ser pior e mais sugestiva de OPORTUNISMO. Acho que os colegas deveriam ter mais cuidado, não só com a UFRJ, mas também com sua própria reputação. O paralelo com o que foi dito na vergonhosa reunião ministerial é quase obrigatório. Há mesmo professores que não alcançam a importância da CONSTITUIÇÃO (art. 207) que garantiu—no interesse da própria sociedade—que as UNIVERSIDADES não podem ser meros instrumentos de governos (apenas mais uma repartição pública). Paciência, continuaremos a tentar ampliar os horizontes de nossos colegas. Mas, deixemos isso de lado, por ora, e vamos tentar entender as razões que os levaram a essa nova investida que nos humilha.
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DUAS “RAZÕES” PARA A PROPOSTA: VAMOS “BATER CONTINÊNCIA”? 
Muita gente se surpreendeu com o “retorno do ZUMBISERH”, eu não! Não que esperasse, mas ao ouvir a proposta, soou como uma consequência natural dos movimentos e paralisias que tenho visto. Identifico duas hipóteses para explicar esse movimento:
1- Revolta contra os Serv. Públicos da União sobre os quais não têm TODO o poder e não podem ameaçar com demissões arbitrárias, etc. Seria um caso ÚNICO numa luta política ou duelo: UM DUPLO TIRO NO PRÓPRIO PÉ! Dos DIRETORES e dos SERVIDORES que, com sua relutância em avançar na retomada das atividades (com cuidados e garantias), esqueceram-se do interesse público e nos enfraqueceram junto à sociedade. Quem sabe até entre nós mesmos? Como recorrer ao MPF e obter o seu apoio, por exemplo, a partir dessa omissão para com o PÚBLICO?
2- Consequência da sensação recorrente de que o HUCFF é não é administrável, por mais competente que possa ser um GESTOR. Considerando que pelo menos 4 dos seus últimos diretores iniciaram sua gestão cheios de ânimo e projetos que foram se esvaziando aos poucos, reforça-se a impressão de haver mesmo, por ali, UM VÍCIO DE ORIGEM. E esses são, por definição, INSANÁVEIS. Como pessoa que entra em todos os lugares (públicos ou não) pensando em como se dá sua gestão e o que faria se tivesse aquela responsabilidade, quando entro no HUCFF tenho a impressão de que seria engolido como tantos foram: “Decifra-me..”. Volto a dizer: a UFRJ dispõe de uma área muito boa e bem localizada para a construção de um HU belo e funcional; capaz de competir com os “melhores” da cidade! Sequer seria necessário mexer nas árvores do CAMPUS PV. Aliás, os empresários da saúde até já apresentaram propostas para o local.
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TRANSATLÂNTICO AFUNDANDO! BARCOS PEQUENOS…DISTÂNCIA!
Antes que me acusem de inconveniência, intromissão em outras gestões e unidades, digo: ao tentarem arrastar outras unidades para o mesmo problema em que se encontram deram autorização TÁCITA para a discussão, por todos, de todas as unidades. É esse, aliás o espírito de um CH. Não preciso falar no problema insolúvel dos elevadores e do desastre arquitetônico que aquele prédio representa, até para seu entorno. Se há um bom princípio para uma gestão, é o de que precisamos ter nas nossas mentes uma REPRESENTAÇÃO de todo um espaço; do seu funcionamento e pessoal envolvido. Quem acredita nessa possibilidade no HUCFF? O máximo conseguido por ali é uma repetição do que se passava na S. Casa (cujos vícios estão como que incarnados ou encarnados): um bom funcionamento de alguns serviços, por conta de iniciativas de suas próprias chefias, doações, etc. Nessa situação, parece impossível desenvolver um mínimo de centralização. E o que se passou com a S. Casa? Aplicando a metáfora de uma árvore: cada serviço se preocupou com o seu próprio “galho” e flores, esquecendo-se dos caules e raízes; resultado: apodrecimento generalizado. Tenho a impressão de que é no ambiente da sensação de incapacidade de resolver o problema que surge o “fantasma da salvação”: a “ZUMBISERH”. Triste é que sacrifiquem a A. UNIVERSITÁRIA com tanta facilidade.
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PARA QUEM ESTÁ SE AFOGANDO, ATÉ TUBARÃO PARECE BOIA!
Modestamente, esse foi o ditado que cunhei durante a luta que derrotou a EBSERH. Aplicava-o sempre que ouvia a ladainha:  “Não há Plano B, etc.”. É bom não esquecer: em função da preservação da autonomia, SÓ A UFRJ recebeu concursados nos últimos anos, e não foram poucos. E tem gente que acha isso ruim…!** É um patrimônio inestimável, mas acho que não temos estado à altura dessa conquista. E espero que nossos colegas, antes de entrarem em “canoas furadas”, se informem sobre o triste papel da tal empresa nos HUs pelo Brasil. Vejam a PANDEMIA: seria o grande momento para demonstrarem o quanto a agilidade de contratações era benéfica (sic). Eu mesmo fiz um esforço nesse sentido junto ao MPF. E qual foi o seu papel? Quem ouviu falar naquelas letrinhas? Eu não ouvi.
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SEM CHANCE DE PASSAR…SÓ COM UM GOLPE MILITAR!
Por fim, é bom que se deem conta de que se com um governo do PT, com amplo apoio entre professores, a EBSERH não passou; com um governo de DIREITA que detesta as UNIVERSIDADES, suas possibilidades são bem menores. O mais provável a acontecer é que nossos colegas reúnam (contra eles) forças que andam meio perdidas por aí, sem algum projeto de interesse da sociedade e da UFRJ.
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*Dirão alguns que a votação final não ocorreu naquele dia. É um formalismo. A quase UNANIMIDADE presentes demonstrou claramente.
**Eu mesmo confesso que já não estou tão seguro disso. O compromisso com o INTERESSE PÚBLICO não se fez sentir fortemente entre os S. PÚBLICOS durante a PANDEMIA. Sequer citavam o interesse público em suas publicações! Há que avançar, com proteção e cuidados, caso contrário, a sociedade pode duvidar de nossa importância. Nenhuma categoria tem sido tão atacada ultimamente. E dizer que tantos de nós têm se dedicado tanto!
Vice- Diretor do Instituto de Psiquiatria da UFRJ

1 Comment

  1. Lamentável saber que o fantasma, assim como o bandido que não morre, reapareceu. A atual conjuntura não poderia ser pior. São os mesmos que defendem as OSs. Dirão, assim como os representantes do setor privado: “Há OSs que funcionam e blá, blá…..” Vos digo, a questão não é essa. O que está ou o que deveria estar no horizonte é a nossa Autonomia Universitária, a defesa do RJU, dos concursos públicos, a nossa competência para gerir e buscar soluções, sem entreguismo. A vida é feita de luta. Mas, infelizmente, alguns preferem não lutar. Acreditam nos mercadores de ilusões! Haja vista o que querem fazer com a Praia Vermelha.

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