Temas e debates em saúde mental

IPUB SOB ATAQUE…TOLOS OS QUE APEDREJAM MONTANHAS…!

(...Dois resultados possíveis: ela cresce ou dispara avalanche de soterra)
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NOTA: um grupo de profissionais e RMULTI-IPUB publicou (em revista* anexa) o artigo AS FACETAS DA VIOLÊNCIA NAS INSTITUIÇÕES PSIQUIÁTRICAS: O REVÉS DO CUIDADO” no qual relatam situações de “violência” que teriam sido presenciadas em nossas enfermarias. Não citam nominalmente a instituição, mas a associação é óbvia. O IPUB tem mesmo enorme capacidade de conviver com diferenças, ainda que seus “calcanhares sejam mordidos”, a toda hora, por gente ressentida e amarga. O alvo, dessa vez, foi a ENFERMAGEM, mas o objetivo final é o mesmo. Alguns até já declararam publicamente desejar o fim da instituição. Difícil é conseguir encontrar algo aproveitável em palavras inspiradas pelo desejo de destruição, ainda que disfarçadas de “renovação”. Uma das autoras levantou senões quanto ao uso do seu nome e esperamos que venha a público. Não seria a primeira vez. Recentemente, uma “NOTA DE REPÚDIO” veio “assinada” por TODOS os RMULTI do IPUB, mas sabemos que nem todos foram consultados a respeito. É O MÍNIMO esperado de gente séria.
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As autoras iniciam sua peroração por JULGAMENTOS peremptórios. O bom espírito científico, porém, recomenda que descrições de fatos e avaliações se façam com anterioridade, de maneira a embasar aqueles mesmos JULGAMENTOS. Iniciam assim:
“Historicamente, as instituições totais são espaços que se constituem por relações hierarquizadas de dominação e poder…”.
Toda linguagem tem a intenção da comunicação. Que me desculpem as autoras, mas aquela expressão: “instituições totais” não diz absolutamente nada. Necessita “TRADUÇÃO” (hipotética, é claro). Assim, a palavra TOTAL tem sido muito usada em propaganda como algo a alcançar. Todos já ouviram falar de um sabão assim anunciado: “OMO TOTAL”.  Também foi usada por GOEBBELS em “Guerra TOTAL”  (“Totaler Krieg” quando em decadência…TOTAL, fev. 1943, depois de STALINGRADO). A propósito e no seguimento, as autoras referem situações típicas de C. de Concentração: “…Nesses lugares, corpos se transformam em objetos e são divididos em 2 polos: dominadores e dominados…”.
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No nosso caso, e uma vez que não preciso ficar prisioneiro ao “pseudo-significado” de palavras e mentes tortas, vou listar em que práticas temos tentado, historicamente, nos tornar, sim, TOTAIS. Afinal, os sinônimos para TOTAL, na nossa bela e corrente línguasão: completo, inteiro, integral, íntegro, absoluto, supremo, máximo… O IPUB agradece pelos possíveis elogios, mas não somos tudo isso! Apenas tentamos ser TOTAIS em:
1- Serviços voltados ao acolhimento de pessoas de TODAS as idades. É um bom esforço de nos tornar…TOTAIS. Como diria um italiano, estamos voltados ao “uomo totale” ou aos seres humanos como um todo.
2- Oferecer TODOS os tipos de terapêutica disponíveis, consagradas ou em estudos controlados; tudo isso com uma supervisão que visa ser… TOTAL.
3- Gerar convivência TOTAL com as mais diversas linhas de pensamento.
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DEPOIS DOS JULGAMENTOS, UMA “PROFISSÃO DE FÉ”!
“Os atos de violência…negligência, discriminação, violência física…consistem em práticas exercidas pelas instituições PÚBLICAS e são marcadas pelas relações de poder desiguais entre usuários e profissionais”. 
Estariam as autoras defendendo as instituições PRIVADAS? Por lá as práticas seriam mais humanas? Certamente não foi o que queriam dizer, mas precisam ter mais cuidado com as palavras! Uma “escorregada” dessas pode ser comprometedora. Além disso, é de uma INFANTILIDADE sem par imaginar uma instituição onde os pacientes tivessem o mesmo nível de poder de decisão que os profissionais por ela responsáveis. Quem responderia à sociedade e aos órgãos de controle? Escrever essa tolice é passar recibo de TOTAL incapacidade para gerir qualquer coisa; quiçá sua própria atividade profissional.
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Mas o que mais interessa aqui é a DEFINIÇÃO do que seria VIOLÊNCIA nessas situações. Eu prefiro dizer, inspirado no princípio de REDUÇÃO DE DANOS: “uso eventual da força, de maneira a prevenir um dano maior”. Vejam a própria definição de VIOLÊNCIA pela OMS (sic) ali reproduzida: “uso intencional de força…contra si mesmo, grupo ou comunidade que pode resultar em ferimentos, morte…”. E eu pergunto: diante do RISCO de alguém (paciente ou não) usar esse tipo de VIOLÊNCIA, não é absolutamente recomendado (quando falham as tentativas de persuasão) o uso de FORÇA de maneira a impedir FERIMENTOS e MORTES? A “profissão de fé” de nossas colegas pode até resultar na criação de alguma igreja. Aplicada às inst. de saúde mental, porém, o desastre é certo. A questão, no caso, seria discutir (a partir de situações específicas) os limites dessa aplicação de força, cujo risco de descambar para raivas e abusos está sempre presente.
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AGORA VAMOS AO RELATO DE CASOS!
I- Antes de tudo, uma nota risível. Iniciam as autoras assim: “A referida paciente…”. Acho que não sabem o significado do termo “referida”! Quem sabe há ali uma interpretação muito freudiana a fazer? Estariam querendo dizer “FERIDA duas vezes”? Seria até poético! “Ferida” pela internação e “ferida” pela incompreensão (sic) descrita. Lembrei-me até de história associada a conhecido político da Baixada que iniciou um discurso assim: “INCLUSIVE…!”. Sim, há uma tendência generalizada a atribuir, por preconceito, certos comportamentos ao uso de drogas. Não estamos livres disso e precisa mesmo ser criticado.
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II- Há ali acusações graves e esperamos que apresentem acusação formal para abertura de SINDICÂNCIA. Disseram no RELATO: “apenas o pac. apresenta ferimentos…causando dúvidas em relação à história contada…”. Algumas páginas depois (na DISCUSSÃO), porém, a dúvida se tornou CERTEZA e ACUSAÇÃO: “…a maneira como a pessoa internada…foi agredida por um prof. de enfermagem…”. É muita IRRESPONSABILIDADE e desrespeito para com colegas! Aliás, é conduta contumaz!  
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III- Esse caso sequer dá para entender, pois teria se passado em um CAPs III: o desespero de uma enfermeira que, sem saber o que fazer para estimular um paciente em catatonia (sic), tocou música em alto volume e lhe deu um “banho frio, ‘de balde'”, tudo isso DEBALDE (inutilmente). E então concluíram que a profissional, apesar do fracasso: “…consegue fazer críticas importantes à ECT sofrida por ele durante a internação..”. Como diz o poeta: “O que dá prá rir, dá prá chorar!”. Quer dizer: depois de reconhecerem o fracasso de todas as medidas por ela mesma tentadas, criticaram a intervenção que provavelmente salvou a vida do paciente. O RIDÍCULO aqui tomou proporções perigosas para a SM.
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IV- Há ali um relato de situação grave e um adiamento (criticável, caso verdadeiro) do diagnóstico de um câncer e de como os pacientes psiquiátricos costumam receber tratamento preconceituoso em unidades de atendimento clínico cirúrgico.
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POR FIM, UM COROAMENTO NARCÍSICO…COMO ERA DE SE ESPERAR!
Costumo dizer que o NARCISISMO é o pai dos piores males da humanidade! E é no final do artigo que ele atinge a plenitude. Em apenas UMA página podemos ler: “…os prof. envolvidos não possuíam formação em SM”“indispensabilidade de revisão dos métodos formativos utilizados para capacitar a enfermagem”; “…Nosso desejo é que cada vez mais existam profs de enfermagem capazes de trabalhar em consonância…”“Formação”, pelo visto, é somente aquela que elas têm e oferecem. Difícil é explicar como, com tão “boa formação”, foram capazes de escrever tanta bobagem! Em verdade, só aceitam bem CLONES delas mesmas. Mas há algo de bom nisso tudo: quando alguém ataca assim sua própria categoria profissional está declarando que DESISTIU DE INFLUENCIAR OS SEUS DESTINOS. Eu já temi que um certo discurso, que despreza e desvaloriza as práticas de enfermagem, demarcadoras mesmo da ATIVIDADE PROFISSIONAL, pudesse ter alguma passagem. Em minha longa carreira, sei que a ENFERMAGEM é a maior guardiã da INSTITUCIONALIDADE nas unidades de SAÚDE em geral. Quem quiser destruir uma INSTITUIÇÃO de SAÚDE deve mesmo iniciar por solapar e corroer os valores e as bases da sua enfermagem. Se corroída, tudo vem abaixo. A nossa já passou por muitas provas e se saiu muito bem!
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*O texto teria sido revisado (25/8) na tal revista. Como, porém, as revisões automáticas não preveem tolices como começar por “a referida paciente” há muitas dúvidas quanto à qualidade dessa “revisão”. Crases (também não revistas automaticamente) parecem ter sido jogadas ao acaso por ali: “negado à um sujeito”; “trazem a tona“; “remete à práticas” são exemplos gritantes de erros para todos os lados. Ninguém é obrigado a saber bem essa aplicação, mas um REVISOR SIM.
Vice- Diretor do Instituto de Psiquiatria da UFRJ

2 Comments

  1. Vice diretor… Provavelmente professor… Que com um lindo texto, mostra a grandiosidade de usar palavras bonitas e “conhecimento” para menosprezar alguém. Nada novo sobre o sol.

  2. Prezada Sra VITÓRIA!
    Tenho por princípio não atacar pessoas, apenas teses.
    Em uma discussão qualquer, não estou preocupado em “ganhar a discussão”. Bem melhor é que os dois lados se escutem, reflitam e que o conhecimento avance com o entrechoque dos argumentos.
    No caso, entretanto, partimos de OFENSAS muito graves SOFRIDAS. Então tudo se torna bem diferente. Tratava-se de um ataque a uma INSTITUIÇÃO PÚBLICA pela qual me sinto muito responsável e a sua defesa tem sido o fator norteador da minha vida profissional, mas não somente. Quem ataca daquela maneira precisa estar preparado para o revide. É um PRINCÍPIO.
    A Sra teve acesso ao artigo original inteiro? Talvez não, pois as autoras e a própria revista parecem ter ficado um tanto envergonhados e o retiraram de publicação.
    Atenciosamente, Márcio Amaral

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